Metade Comédia, Metade Drama
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- first published
- Portuguese
- language
- 1
- edition
- 160
- pages
O contador de histórias tem manifesto prazer em contá-las. Desde logo deve ser um prazer de demiurgo. Porque o contador de histórias cria o mundo da sua história. Mas esse prazer toma, em certos momentos, uma expressão particular… quando o narrador encontra a palavra que lhe parece exacta, quando mede bem a articulação, quando acerta na escolha de, entre os ritmos possíveis da história (porque uma história pode ser sempre contada a diferentes ritmos), o seu, o seu tempo pessoal próprio, com que ele afecta a história quando a está a criar, ou a recriar. O Keil do Amaral contava as suas histórias com um tempo de café de província ao fim da manhã de domingo. De maneira que a história era toda ela suspense. Quaisquer suspenses que houvesse pelo meio sofriam a sobredeterminação do suspense total, que já vinha de trás. JOSÉ FERNANDES FAFE