# A dificuldade de ser

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- Authors: [Jean Cocteau](https://www.bookquiver.com/jean-cocteau)
- Publisher: grupo_autentica
- ISBN: 978-85-8217-513-2
- Pages: 208
- Published: 2015-03-04
- Language: pt_BR
- Binding: Softcover

## Description

A dificuldade de estar em um mundo cheio de fronteiras, regras e compartimentos pode ter sido o motivo que levou Jean Cocteau a expressar a sua dificuldade de ter um só corpo, sendo múltiplo. E esse corpo diversas vezes autorretratado, por meio do desenho, da escrita ou do cinema, não teria sido o corpo escolhido, embora tivesse mãos prodigiosas. Coube, então, a essas mãos certo toque de Midas: transformar tudo não em ouro, mas em arte uma conversa, a frivolidade, o riso, um sonho, a juventude, a beleza, a amizade, os costumes, a responsabilidade, o trabalho, a leitura, casas assombradas, a infância, a dor, a morte...<br><br>A dificuldade de ser Jean Cocteau foi, também, fruto de uma armadilha construída pelas lendas que o envolveram. Cocteau foi, ao mesmo tempo, o mais célebre e o mais desconhecido dos poetas, e disso se queixava. Mas o seu ser já não era exato, era um mundo em si, físico e abstrato. Um mundo onde não havia distinção entre a obra e a vida, entre a ficção e a realidade. Então, eis um livro-testamento, como em outro momento houve um filme; um autorretrato literário que segue a tradição pictórica do espelho revelando o artista, os seus instrumentos e o seu método, enfim, o seu ato de criação.<br><b>Wellington Júnio Costa</b><br><br>__________________________________<br><br>A personalidade multifacetada de Jean Cocteau vive no movimento e do movimento. Qualquer apoio é fugaz. Cocteau é circulação pelos cabarés de Montmartre e pela Antiguidade Clássica. É bandoleiro e é Orfeu. Contra a fatalidade do mito grego invoca a liberdade do poeta de vanguarda. Pertence à família dos exagerados. 'Eu não sou alegre, nem triste. Mas posso ser tanto uma coisa como outra e com excesso'? lemos em <b><i>A dificuldade de ser</i></b>. Cocteau é relógio que bate as horas certas do improviso. Apaixonado, adora o sol. Do seu brilho e calor é que surgem as metamorfoses desejadas. Em poema, implora: 'Sol, delicioso inferno, transforme minha pele cor-de-rosa em coração satânico'. Cocteau sabe que o poeta caminha na areia movediça. Basta o peso desmedido da pisada para afundá-lo. Por isso ele traz estampada no assombro a figura da morte.<br><b>Silviano Santiago</b>