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Gregório de Matos - Vol. 3 (Capa Dura)1 / 1
Edition · 2014-06-20 · Hardcover

Gregório de Matos - Vol. 3 (Capa Dura)

GMGregorio De Matos
2014
year of publication
496
pages
Portuguese (Brazil)
language
Hardcover
cover
Publisher
grupo_autentica
ISBN-13
978-85-8217-303-9
EAN
9788582173039
Publication date
2014-06-20
Book
Gregório de Matos - Vol. 3 (Capa Dura) · 1 edition
The publisher on this edition

Na sátira atribuída a Gregório de Matos e Guerra, o caráter e as paixões do personagem satírico que vitupera vícios e viciosos são inventados retoricamente com categorias e preceitos éticos, jurídicos e teológico-políticos da 'política católica' ibérica, sendo repetidos nos poemas como esquemas opositivos de ação verbal: <i>catolicismo</i> X <i>heresia</i> e <i>gentilidade</i>; <i>brancura</i> X <i>não brancura da pele</i>; <i>discrição<i> X <i>vulgaridade</i>; <i>fidalguia</i> X <i>plebe</i>; <i>honestidade<i> X </i>desonestidade</i>; <i>liberdade</i> X <i>escravidão</i>; <i>masculino</i> X <i>feminino</i>; <i>sexo natural</i> X <i>sexo contra naturam</i>. Constituindo-se como semelhança virtuosa das categorias positivas, o personagem satírico compõe os tipos viciosos como semelhanças malvadas das negativas, afirmando ser tipo virtuoso, por isso indignado contra a corrupção da sua Cidade segundo uma <i>afetação</i> retórica de indignação, como ocorre na <i>Sátira</i> 1, 79, de Juvenal: [...] <i>si natura negat, facit indignatio versum</i>. Quando declara que a ordem racional do seu mundo está corrompida e que sua indignação faz o verso, o personagem de Juvenal afirma também ignorar o valor da disciplina poética. Com verossimilhança dramática, alega viver num mundo caótico em que expressa sua indignação caoticamente, como se o discurso fosse expressão informal da sua ira. Obviamente, é artifício dizer que 'não há artifício' no que é retoricamente dito. A irracionalidade da indignação do personagem é inventada racionalmente, enfim, pela técnica de contrafação do fingimento poético que produz estruturas 'indignadas' e 'excessivas'. No século XVII, vulgares as recebiam como ausência de artifício.