Para que todos entendais. Poesia atribuída a Gregório de Matos e Guerra - Vol. 5 (Capa Dura)
JHJoão Adolfo Hansen- 2014
- year of publication
- 592
- pages
- Portuguese (Brazil)
- language
- Hardcover
- cover
- Publisher
- grupo_autentica
- ISBN-13
- 978-85-8217-299-5
- EAN
- 9788582172995
- Publication date
- 2014-06-20
- Book
- Para que todos entendais. Poesia atribuída a Gregório de Matos e Guerra - Vol. 5 (Capa Dura) · 1 edition
Na <i>Poética</i>, 1449, 5, Aristóteles fala brevemente sobre o cômico: A comédia é a imitação de homens de qualidade moral inferior, não em toda espécie de vício, mas no domínio do ridículo, que é uma parte do feio. Porque o ridículo é uma feiura sem dor nem dano; assim, por exemplo, a máscara cômica é feia e disforme sem expressão de dor . O trecho refere o feio em geral, <i>aiskhrón</i>, para especificar um subgênero dele, <i>gheloion</i>, que a latinidade e autores dos séculos XVI, XVII e XVIII chamaram de <i>ridiculum</i>, ridículo. O exemplo da máscara teatral sintetiza dois elementos que definem o feio: a deformação inofensiva, que é tratada ironicamente como <i>gheloion</i>, <i>ridículo</i>; a deformação nociva, tratada agressivamente com <i>psógos</i>, <i>maledicência</i>. Nos dois casos, a definição do cômico como deformação pressupõe o conceito grego e latino do <i>belo-bom</i> como unidade racional sem deformação e mistura. Sensivelmente, a feiura é deformação do <i>belo-bom</i>; moralmente, é vício e, intelectualmente, erro. A matéria geral dos poemas cômicos do <i>Códice Asensio-Cunha</i> é a feiura física, do corpo, e a feiura moral, da alma. A feiura do corpo corresponde a inumeráveis espécies de deformações e misturas; a da alma divide-se em duas, estupidez e maldade. Nos poemas, a feiura física metaforiza a feiura moral de vícios fracos, ridicularizados, e vícios fortes, vituperados com maledicência.
