The Book Quiver
Create an account
Fora do tempo1 / 1
Edition · 2012-08-22 · Softcover

Fora do tempo

DGDavid Grossman
Translation
Paulo Geiger
2012
year of publication
176
pages
Portuguese (Brazil)
language
Softcover
cover
Publisher
Companhia das Letras
Translation
Paulo Geiger
Original title
Nofel mi-jutz la-zman (Falling out of time) · Hebrew
ISBN-13
978-85-3592-156-4
EAN
9788535921564
Publication date
2012-08-22
Book
Fora do tempo · 1 edition
The publisher on this edition

Em junho de 2011, ao lançar Fora do tempo em Israel, David Grossman preferiu não dar entrevistas. Talvez porque o livro seja uma investigação íntima da experiência do luto. Como se sabe, em agosto de 2006, o filho do autor, Uri, então sargento do Exército israelense, foi morto, pouco antes do fim do conflito com o Líbano. Por uma triste ironia, o romancista havia acabado de se manifestar em favor de um cessar-fogo, ao lado de Amós Oz e A. B. Yehoshua. Num registro único, deixando transparecer o contexto pessoal e israelense apenas por alusão, Fora do tempo retoma o drama medieval para, com o auxílio da parábola e do maravilhoso, forçar os limites da expressão e dar voz ao luto desde dentro. Depois de cinco anos de dor muda, um Homem subitamente recupera a fala e anuncia a sua Mulher que partirá numa jornada para “lá”, onde sente que o espera o filho morto. Andando em círculos, ele magnetiza uma cidade de pais enlutados, que, numa espécie de transe, marcham como se pudessem franquear a linha de fronteira entre “aqui” e “lá”. A estranha disputa entre um Anotador supostamente incumbido pelo Duque da cidade de registrar as dores alheias e um atormentado Centauro - metade homem, metade escrivaninha - com bloqueio criativo evidencia que o trabalho do luto é também o percurso tantas vezes extenuante de esclarecimento da experiência da perda e corajosa retomada da palavra. Com efeito, talvez a poesia tenha se revelado a “língua da dor” para Grossman, justamente por sua excepcional plasticidade, como se fosse a única linguagem capaz de roçar essa realidade tão impositiva quanto inabordável: a morte. “A poesia serve aqui para estabelecer distância, e ao mesmo tempo garante valiosa força à dor dos personagens. Em outras palavras, Grossman encontrou um maravilhoso equilíbrio entre conter e soltar um grito. É preciso tirar o chapéu para Grossman: poesia inquietante, poesia em sua melhor forma.” - Haaretz