- 2008
- year of publication
- 518
- pages
- Portuguese (Brazil)
- language
- Softcover
- cover
- Publisher
- Companhia das Letras
- ISBN-13
- 978-85-3591-338-5
- EAN
- 9788535913385
- Publication date
- 2008-10-27
- Book
- Poesia completa · 1 edition
A poesia de José Paulo Paes tem a rara capacidade de saciar o leitor em pouquíssimas linhas. Entre os poetas brasileiros do século XX, ele ficou conhecido como o mestre do epigrama - aquele tipo de poema curto e mordaz cuja matéria-prima é uma atenta observação do mundo e do ser humano. Ao descrever um shopping center, por exemplo, ele relembra o " Inferno" de Dante: " Pelos teus círculos/ vagamos sem rumo/ nós almas penadas/ do mundo do consumo". Muitas vezes, a ironia se volta contra o próprio autor, que declara ser o poeta mais importante da sua rua, mas confessa: " Mesmo porque a minha rua/ é curta". Num brevíssimo jogo de palavras, José Paulo resumiu as regras principais da sua poética: " conciso? com siso/ prolixo? pro lixo". Mas a poesia da concisão, para ele, é também a da dúvida - palavra que, aliás, serve de título ao derradeiro poema, escrito na véspera de sua morte. Cético, o poeta não prometeu amar a Deus " sobre todas as coisas", mas " em cada uma delas", como quem opta com firmeza pelo mundo: " hás por certo de preferir um agnóstico fora do teu templo a um vendilhão dentro dele". Por muitas vezes, o poeta se armou com os recursos do sarcasmo e da sátira para denunciar o cinismo dos poderosos e a banalização da vida no mundo contemporâneo. De fato, não existe vício mais oposto à poesia de José Paulo do que a ganância. Até mesmo ao imaginar uma inscrição para o seu túmulo, ele optou pela parcimônia: " para quem pediu sempre tão pouco/ o nada é positivamente um exagero".
