- 2025
- year of publication
- 72
- pages
- Portuguese (Portugal)
- language
- Softcover
- cover
- Publisher
- Sistema Solar
- ISBN-13
- 978-98-9568-247-8
- EAN
- 9789895682478
- Publication date
- 2025-01-01
- Book
- Enoch Soames · 1 edition
Enoch Soames, a existir e a não existir. Uma realidade-ficção ou uma ficção-realidade de Max Beerbohm? A sua obra literária persiste sobretudo com um livro que reuniu diversos textos publicados anteriormente em jornais e revistas, todos a retratarem personagens que saíam da realidade para serem subtilmente corrompidas pela sua imaginação. Em 1919 começou por chamar-lhe Seven Men (Sete Homens), mas a edição de 1950 acrescentou-lhe mais dois, anunciando-os no novo título: Seven Men and Two Others (Sete Homens e Outros Dois). É deste conjunto o seu texto mais célebre, a que chamou Enoch Soames, publicado pela primeira vez em 1916 no Century Magazine, uma curiosa e subtil cumplicidade entre a realidade e a ficção. A realidade é-nos sugerida por o narrador do texto ser o próprio Beerbohm e ter, no início da sua história, a companhia do pintor William Rothenstein, que realmente existiu (durante setenta e três anos, desde 1872 a 1945). Surge então, entre estes dois homens autênticos, o ficcionado escritor Soames que o Diabo leva ao salão de leitura do British Museum, numa tarde cem anos posterior a esse dia, para ele investigar o que a posteridade diz a seu respeito. Mas os pactos com o Diabo (sabemo-lo bem desde o Fausto de Goethe) acabam sempre de forma trágica. Soames, uma ficção-realidade de Beerbohm, faz em 3 de Junho de 1897 uma viagem de cem anos até ao salão de leitura de uma realidade-ficção, e volta de lá irritado por uma história da literatura publicada em 1992 por um tal T. K. Nupton o considerar um escritor sem existência física, só pertencente à realidade ficcionada de Beerbohm. Enoch Soames a oscilar desta forma problemática, a querer-se físico e humano na realidade exterior a Beerbohm, e a ser na sua posteridade avaliado como uma ficção de Beerbohm, a existir e a não existir, desaparece do mundo, vítima do pacto que fez com o Diabo, e ninguém dá por isso porque ele na verdade não passa, perante o mundo exterior à ficção-realidade de Beerbohm, de uma inexistência.[Aníbal Fernandes]
